A Importância das Gorduras Boas no Controle da Inflamação
- Dra Marcela Mendes
- Oct 25, 2024
- 2 min read

Quando falamos em nutrição para doenças autoimunes, um dos pilares para o controle da inflamação está no tipo de gordura que consumimos. Embora por muito tempo as gorduras tenham sido vistas com desconfiança, hoje sabemos que nem todas são prejudiciais. Na verdade, as gorduras boas – como as insaturadas, incluindo o famoso ômega-3 – desempenham um papel essencial no combate à inflamação, sendo fundamentais no manejo de doenças autoimunes como esclerose múltipla, lúpus e artrite reumatoide.
As gorduras insaturadas podem ser divididas em dois grupos principais: monoinsaturadas e poli-insaturadas. O ômega-3, uma gordura poli-insaturada encontrada em peixes de águas frias (salmão, sardinha, cavala), linhaça, chia e nozes, é especialmente relevante para o controle da inflamação. Estudos mostram que o ômega-3 age de forma eficaz na regulação do sistema imunológico, ajudando a reduzir a produção de substâncias pró-inflamatórias, como as citocinas, que agravam o quadro inflamatório em doenças autoimunes.
Essas gorduras boas podem atuar no corpo de maneira semelhante a medicamentos anti-inflamatórios, mas de forma natural. O ômega-3, por exemplo, promove a síntese de prostaglandinas anti-inflamatórias, que reduzem a inflamação nos tecidos e podem aliviar sintomas como dor nas articulações, fadiga e rigidez. Isso é particularmente benéfico para quem convive com doenças autoimunes reumáticas, como a artrite reumatoide, onde o processo inflamatório nas articulações é uma das principais causas de dor e desconforto.
Além disso, o consumo regular de ômega-3 está associado à melhoria da saúde cardiovascular, um fator importante para pessoas com doenças autoimunes, já que essas condições frequentemente aumentam o risco de problemas cardíacos. Portanto, incluir fontes de gorduras boas na dieta não só ajuda a controlar a inflamação, mas também contribui para a proteção do coração.
As gorduras monoinsaturadas, presentes em alimentos como o azeite de oliva extra virgem, abacate e oleaginosas, também têm efeitos anti-inflamatórios. O azeite de oliva, em particular, contém compostos como o oleocanthal, que possui propriedades anti-inflamatórias semelhantes às do ibuprofeno. Esse óleo é um pilar da dieta mediterrânea, conhecida por seus benefícios na redução da inflamação e na promoção da saúde geral, especialmente em condições autoimunes e reumáticas.
Mas como garantir que estamos consumindo as gorduras certas?
Priorizar alimentos ricos em gorduras insaturadas é o primeiro passo. Isso significa incluir peixes gordurosos em pelo menos duas refeições semanais, usar azeite de oliva como principal fonte de gordura para cozinhar e temperar alimentos, e adicionar nozes, abacate e sementes ao dia a dia. Também é importante reduzir o consumo de gorduras saturadas e trans, presentes em alimentos ultraprocessados, frituras e carnes processadas, pois essas gorduras tendem a aumentar a inflamação no corpo.
Ao adotar um padrão alimentar que prioriza as gorduras boas, estamos oferecendo ao corpo uma ferramenta poderosa para modular o sistema imunológico e diminuir a inflamação. Esse equilíbrio nutricional não apenas melhora os sintomas das doenças autoimunes, mas também promove uma saúde geral mais robusta e resistente a inflamações crônicas.
Portanto, as gorduras boas, como o ômega-3 e as monoinsaturadas, devem ser aliadas de quem busca controlar a inflamação associada às doenças autoimunes. Fazer escolhas alimentares conscientes, focadas nesses nutrientes, pode transformar a relação com o próprio corpo, ajudando a controlar a inflamação e melhorar a qualidade de vida de forma natural e duradoura.
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