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Como a Alimentação Pode Prevenir Flares em Doenças Autoimunes

  • Dra Marcela Mendes
  • Oct 31, 2024
  • 4 min read

As doenças autoimunes, como esclerose múltipla, lúpus e artrite reumatoide, são caracterizadas por momentos de exacerbação dos sintomas, conhecidos como "flares" ou crises. Nessas crises, o sistema imunológico ataca os tecidos saudáveis do corpo, levando a inflamações, dores e outros sintomas debilitantes. Embora as causas desses flares sejam multifatoriais, incluindo estresse e fatores ambientais, uma alimentação adequada pode desempenhar um papel importante na prevenção desses surtos, ajudando a manter o sistema imunológico equilibrado e controlando a inflamação.


A relação entre alimentação e inflamação

A inflamação crônica é um fator central nas doenças autoimunes. Enquanto a inflamação aguda é uma resposta natural e benéfica do corpo para combater infecções ou curar lesões, a inflamação crônica, que se mantém ativa por longos períodos, pode agravar os sintomas autoimunes. É aqui que a alimentação tem um impacto significativo. Determinados alimentos podem reduzir a inflamação, enquanto outros podem promovê-la, aumentando o risco de flares.


Alimentos que ajudam a prevenir flares

  1. Alimentos ricos em ômega-3: O ômega-3, encontrado em peixes gordurosos como salmão, sardinha e cavala, tem potentes propriedades anti-inflamatórias. Esses ácidos graxos ajudam a regular a resposta imunológica e reduzem a produção de citocinas pró-inflamatórias, substâncias que podem desencadear ou piorar os flares. Incluir fontes de ômega-3 na dieta regular pode ajudar a manter o equilíbrio da inflamação no corpo.

  2. Frutas e vegetais coloridos: Frutas e vegetais são ricos em vitaminas, minerais e compostos antioxidantes que ajudam a combater o estresse oxidativo, um dos gatilhos da inflamação crônica. Antocianinas, presentes em frutas vermelhas como mirtilos e morangos, e carotenoides, encontrados em vegetais como cenoura e espinafre, ajudam a proteger as células de danos e a reduzir os processos inflamatórios. Consumir uma variedade de cores garante uma ampla gama de nutrientes essenciais que apoiam a função imunológica.

  3. Grãos integrais e leguminosas: Grãos integrais, como aveia, quinoa e arroz integral, e leguminosas, como feijão e lentilhas, são ricos em fibras, que desempenham um papel fundamental na saúde intestinal. Como o intestino abriga uma parte significativa do nosso sistema imunológico, manter a microbiota equilibrada por meio de uma dieta rica em fibras pode ajudar a prevenir inflamações e melhorar o controle dos sintomas autoimunes. Além disso, a fermentação das fibras no intestino gera ácidos graxos de cadeia curta, que têm propriedades anti-inflamatórias.

  4. Especiarias anti-inflamatórias: Especiarias como cúrcuma e gengibre são conhecidas por seus efeitos anti-inflamatórios naturais. A cúrcuma, rica em curcumina, tem demonstrado capacidade de reduzir a inflamação sistêmica ao inibir a ação de moléculas inflamatórias. O gengibre também tem compostos bioativos que ajudam a modular a resposta inflamatória. Incorporar essas especiarias no preparo das refeições pode ser uma maneira saborosa de ajudar a evitar flares.

  5. Oleaginosas e sementes: Nozes, amêndoas, linhaça e chia são fontes de gorduras saudáveis e fibras, que atuam no controle da inflamação. Essas oleaginosas são ricas em ômega-3 vegetal e antioxidantes, contribuindo para a regulação do sistema imunológico. Além disso, esses alimentos ajudam a manter o equilíbrio da glicose no sangue, o que é importante, pois picos de açúcar podem desencadear respostas inflamatórias.


Alimentos que devem ser evitados

Assim como existem alimentos que ajudam a reduzir a inflamação, alguns podem aumentar o risco de flares e devem ser evitados ou consumidos com moderação:

  1. Açúcar refinado e carboidratos processadosAlimentos ricos em açúcares refinados, como doces, refrigerantes e carboidratos processados (pães brancos, massas não integrais), podem elevar os níveis de glicose no sangue e estimular a produção de citocinas inflamatórias. Picos de glicose também estão relacionados a um aumento no estresse oxidativo, o que pode agravar a inflamação e desencadear flares em pacientes autoimunes.

  2. Gorduras trans e saturadasAs gorduras trans, encontradas em alimentos ultraprocessados, frituras e margarinas, são altamente inflamatórias e podem aumentar os níveis de marcadores inflamatórios no corpo. Da mesma forma, o consumo excessivo de gorduras saturadas, presentes em carnes vermelhas processadas e produtos lácteos gordurosos, está associado ao aumento da inflamação. Substituir essas gorduras por gorduras saudáveis, como as encontradas no azeite de oliva extra virgem e nozes, pode ajudar a prevenir surtos inflamatórios.

  3. Alimentos ultraprocessadosProdutos ultraprocessados, que contêm uma grande quantidade de aditivos, conservantes e ingredientes artificiais, são frequentemente pobres em nutrientes e ricos em substâncias inflamatórias. O consumo regular desses alimentos pode alterar o equilíbrio da microbiota intestinal e desencadear inflamações. Reduzir ou eliminar o consumo de ultraprocessados e priorizar alimentos frescos e minimamente processados é essencial para quem tem doenças autoimunes.


O papel da microbiota intestinal na prevenção de flares

A conexão entre a saúde intestinal e o sistema imunológico é cada vez mais evidente. Um intestino saudável, com uma microbiota diversa e equilibrada, é essencial para a regulação da inflamação no corpo. Alimentos ricos em fibras, como vegetais, grãos integrais e frutas, alimentam as bactérias benéficas do intestino, que, por sua vez, ajudam a produzir substâncias anti-inflamatórias. Além disso, o equilíbrio da microbiota intestinal pode prevenir a permeabilidade intestinal, uma condição em que o intestino se torna "vazado", permitindo que substâncias inflamatórias entrem na corrente sanguínea e desencadeiem flares.


Uma alimentação adequada pode ser uma ferramenta poderosa na prevenção de flares em doenças autoimunes. Ao priorizar alimentos ricos em nutrientes anti-inflamatórios e evitar aqueles que promovem inflamação, é possível melhorar o controle dos sintomas, reduzir a frequência e a gravidade das crises e promover uma melhor qualidade de vida. Como cada paciente autoimune é único, é importante buscar orientação de um nutricionista ou profissional de saúde para adaptar a dieta às necessidades individuais e otimizar seus benefícios no controle da inflamação.

 
 
 

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